No romance O dinheiro, de Arthur Hailey, o romancista ilustra dois importantes fenômenos econômicos: a política de depreciação cambial e a assimetria de informações. A política de depreciação cambial (ou de desvalorização monetária) é a estratégia de desvalorizar a moeda com a finalidade fazer estrangeiros pagarem menos pelo dinheiro nacional – o que busca promover uma política de maiores exportações e menores importações para o ajustamento de uma balança comercial favorável para o país.  A assimetria de informação ocorre quando, em meio a um processo de negociação, um ou mais participantes possuem maior conhecimento do que o outro(s). A assimetria de informações pode levar à prática da informação privilegiada, condenável pelas instituições que fiscalizam o mercado, pois conturba a concepção de justiça ou equilíbrio na livre concorrência – o que, inevitavelmente, deriva um fenômeno chamado de falha de mercado. Na passagem destacada abaixo, Hailey caracteriza a política de desvalorização monetária como danosa para o pequeno ou médio investidor e a assimetria de informações como prática recorrente pelas próprias instituições bancárias como atividade lucrativa.

“- Por falar em ano que vem, qual é a opinião de Lewis? – Lewis D’Orsey, marido de Edwina, era editor e proprietário de um boletim informações para investidores, muito lido. // –  Sombria. Prevê outra grande queda do dólar. // – Concordo com ele. Você sabe, Edwina, uma das falhas do sistema bancário americano é que nunca encorajamos nossos clientes a manter contas em moedas estrangeiras – francos suíços, marcos alemães e outras – como fazem os banqueiros europeus. De fato, atendemos às grandes companhias porque elas sabem como insistir e os bancos obtêm para si mesmos lucros consideráveis com outras moedas, mas raramente, ou nunca, para o depositante pequeno ou médio. Se tivéssemos incentivado contas em moedas estrangeiras há dez ou mesmo há cinco anos, alguns de nossos clientes teriam lucrado, com a desvalorização do dólar. // – O Tesouro Nacional não se oporia? // – É provável. Mas acabaria por permitir sob pressão do público. É o que ocorre sempre. // – Você já considerou a possibilidade de mais gente abrir contas em moedas estrangeiras? // – Já, uma vez, e não me dei nada bem. Entre nós, banqueiros americanos, o dólar, por mais fraco que seja, é sagrado. É um conceito de avestruz que incutimos no público: meter a cabeça na areia. E isso lhe tem custado bom dinheiro. Apenas alguns poucos clientes mais evoluídos tiveram o bom senso de abrir contas em bancos suíços, antes de começarem as desvalorizações do dólar. // – Já pensei nisso muitas vezes – disse Edwina. – Toda vez que aconteceu, os banqueiros sabiam antecipadamente que a desvalorização era inevitável. Ainda assim, mantemos nossos clientes… com exceção de alguns favorecidos… desinformados. Nunca sugerimos que vendam dólares.” (HAILEY, Arthur. O dinheiro. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira,  1975. p.18-19)