Em “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, a publicidade enganosa surge como um mecanismo perverso que alimenta ilusões e aprofunda a exploração econômica das famílias migrantes. Os cartazes e folhetos distribuídos no Sul dos EUA, prometendo trabalho abundante e salários justos na Califórnia, funcionam como iscas que distorcem a realidade. Steinbeck expõe como essas mensagens, muitas vezes financiadas por grandes proprietários de terra, criam uma narrativa de oportunidade que ignora propositalmente a superoferta de mão de obra — estratégia para baixar custos trabalhistas e maximizar lucros.

As famílias, como os Joad, vendem seus poucos pertences para financiar a viagem rumo ao suposto paraíso agrícola, apenas para descobrir que centenas de outros migrantes foram igualmente atraídos. A consequência é a desvalorização extrema do trabalho: diante da multidão desesperada por emprego, os salários caem abaixo do mínimo de subsistência, aprisionando os trabalhadores em ciclos de dívida e fome. A publicidade não apenas mente sobre a quantidade de vagas, mas também omite condições degradantes, como acampamentos insalubres e a violência policial contra quem ousa reivindicar direitos.

Steinbeck retrata a propaganda como uma extensão da violência estrutural. Ao inflar falsas esperanças, ela desarma, economicamente, os migrantes, tornando-os vulneráveis à exploração. Cada promessa não cumprida corrói a capacidade de planejamento das famílias, forçando-as a aceitar qualquer oferta para sobreviver. A obra revela assim como a manipulação informativa não é um acidente, mas uma ferramenta consciente de dominação, em que a ilusão de escolha mascara a ausência real de alternativas.