As despesas com turismo para o indivíduo consumidor trazem aspectos econômicos contraditórios. Por uma certa perspectiva, em relação ao impacto no orçamento pessoal, gastos com turismo podem levar a uma diminuição na poupança ou em outros investimentos, especialmente se o indivíduo não planejar seu orçamento adequadamente. Ademais, o dinheiro gasto em turismo pode significar menos recursos disponíveis para outras prioridades pessoais, como educação, investimentos ou aposentadoria. De igual modo, para o consumidor de despesas turísticas, o impacto na dívida pessoal é uma realidade próxima e recorrente. Para financiar viagens, alguns indivíduos podem usar crédito ou empréstimos, o que pode resultar em acumulação de dívidas e encargos financeiros adicionais. Gastos elevados com turismo também podem afetar o gerenciamento do crédito e a capacidade de pagar outras dívidas ou compromissos financeiros.
Adotando-se outro ponto de vista, as despesas com turismo também podem promover efeitos de bem-estar e satisfação: experiências turísticas podem melhorar o bem-estar e a qualidade de vida, oferecendo relaxamento, novas experiências e enriquecimento cultural. Além disso, investir em experiências turísticas pode trazer uma sensação de satisfação e felicidade que pode ser percebida como mais valiosa do que a aquisição de bens materiais. O turismo também pode favorecer o indivíduo consumidor com benefícios e retornos pessoais. Se, por um lado, viagens podem proporcionar oportunidades de networking e de expandir contatos profissionais, o que pode trazer benefícios em termos de carreira e desenvolvimento pessoal; por outro, a exposição a novas culturas e experiências advindas dessas viagens pode contribuir para o crescimento pessoal e o desenvolvimento de novas habilidades.
No romance Lolita, de Vladimir Nabokov, boa parte desses aspectos dissonantes e antagônicos em relação à temática do gasto pessoal em despesas turísticas são retratados na seguinte passagem:
“Finalmente, havia a questão de dinheiro. Minha renda estava estourando sob a pressão de nossas viagens de prazer. Na verdade, eu me agarrava às estalagens mais baratas para automobilistas; mas, de vez em quando, havia um imponente hotel de luxo, ou um pretensioso rancho para turistas, a mutilar o nosso orçamento; além disso, somas enormes eram gastas em excursões de turismo e na aquisição de roupas para Lo, e o velho “ônibus” dos Haze, embora fosse ainda uma máquina vigorosa e muito devotada, necessitava de pequenos consertos e reparações maiores. Num de nossos mapas de viagem, que sobreviveu, por acaso, entre os papéis que as autoridades gentilmente me permitiram conservar, a fim de redigir minhas declarações, encontro algumas anotações que me ajudam a computar os seguintes gastos: durante aquele extravagante ano de 1947-1948, de agosto a agosto, a hospedagem e a alimentação nos custaram cerca de cinco mil e quinhentos dólares; gasolina, óleo e reparações, mil, duzentos e trinta e quatro, e várias despesas extras, quase essa mesma quantia. Assim, durante cerca de cento e cinquenta dias de verdadeiro movimento (percorremos cerca de vinte e sete mil milhas!), mais duzentos dias, aproximadamente, de paradas intercaladas, este modesto rentier gastou cerca de oito mil dólares, ou seria melhor dizer dez mil, pois que, nada prático como sou, esqueci, certamente, de anotar muitas outraş despesas.”
(NABOKOV, Vladimir. Lolita. São Paulo: Abril Cultural, 1981. p.238-239)

